Relatório do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indica crise climática planetária, mas o governo estadunidense quer enfraquecer o documento, tornando-o público antes do tempo. Para o Greenpeace, os dados revelados mostram a necessidade de urgência no combate às mudanças climáticas. A versão preliminar de um dos relatórios ainda em revisão do IPCC indica que o clima da Terra está sofrendo uma transformação dramática devido às ações humanas e que seus efeitos são muito mais sérios do que o que se imaginava.
O Greenpeace questiona a intenção do governo estadunidense em tornar o relatório público antes de sua versão final, mas, ao mesmo tempo, considera que as informações instam os governos de todo o planeta a tomarem medidas muito mais incisivas para controlar as emissões mundiais de gases de efeito estufa e evitar uma catástrofe no futuro.
O processo de revisão dos relatórios do IPCC é sigiloso, restrito aos governos e a especialistas em mudanças climáticas, até o lançamento de sua versão final. "O sigilo nessa fase de revisão tem gerado relatórios consistentes e sólidos. Expor o relatório não finalizado aos céticos da ciência indica a intenção de sabotar o processo e colocar em cheque os resultados ainda preliminares do documento, uma referência para as negociações internacionais do regime de clima da Terra", afirmou Carlos Rittl, coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace.
Apesar disso, os novos dados evidenciam claramente que as ações humanas têm um impacto significativo sobre as mudanças climáticas e que seus efeitos são muito mais sérios do que se imaginava. "Isso coloca contra a parede todos aqueles que têm responsabilidade mas que não deram nenhuma contribuição, que não assumiram nenhum compromisso para combater o problema", acrescentou Rittl.
O Greenpeace considera que, mesmo que as informações do relatório ainda estejam sujeitas a uma ampla revisão dos governos e dos cientistas, são suficientes para tornar ainda mais urgentes a adoção de medidas imediatas para combater as mudanças climáticas. "Se todos os governos do mundo não forem muito mais efetivos nas negociações internacionais, se não assumirem compromissos muito mais profundos, o planeta poderá em poucas décadas enfrentar catástrofes de enormes proporções, com perdas de milhões de vidas humanas, extinção de milhões de espécies e perdas econômicas incalculáveis", enfatizou Rittl.
Isso impõe a necessidade de maior contribuição de todos, inclusive dos países em desenvolvimento, como o Brasil. "Devemos diminuir nossas emissões e combater o desmatamento de forma sistemática e incisiva, hoje reponsável por cerca de 75% dos gases de efeito estufa que o país emite para a atmosfera".
Pensar e Agir de forma consciente e nos responsabilizarmos , termos a iniciativa de começar a mudar o rumo do nosso PLANETA , só assim conseguiremos reverter as consequências da crise climática e não pensar só no retorno financeiro e sim no nosso futuro ou melhor de nossas futuras gerações .
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
O debate em torno da crise climática
Por Maria Luisa Mendonça
A crise climática passou a ser um dos temas centrais da atualidade e, como era esperado, há diversas interpretações e interesses em jogo no contexto deste debate. De um lado, há uma série de propostas de mercantilização de políticas ambientais, em contraste com uma análise crítica sobre razões estruturais das mudanças climáticas. Outra polêmica pode ser resumida entre uma falsa oposição de “ambientalistas” e “desenvolvimentistas”.
No âmbito dos fóruns governamentais, a discussão ganhou centralidade a partir das constatações mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre os efeitos dramáticos do aquecimento global. Porém, desde a ECO-92, no Rio de Janeiro, foi criada a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), ratificada por mais de 190 países. Neste âmbito, passaram a ocorrer reuniões multilaterais, conhecidas como Conferências das Partes (COP), sendo que a mais recente foi realizada em Copenhagen, em Dezembro de 2009.
Este espaço tem sido marcado por políticas neoliberais de privatização de bens naturais, como o chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL), que inclui o mercado de carbono, previsto no Protocolo de Quioto. Este tipo de projeto tem beneficiado, em grande medida, grandes empresas e latifundiários, que lucram com a expansão dos chamados “desertos verdes”, por exemplo, o monocultivo de eucalipto, soja e cana. Mais recentemente, surgiu uma nova proposta deste tipo, conhecida como Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de Florestas (REDD).
A frustração de movimentos sociais diante das posições deste fórum gerou a convocação para a Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas, em abril de 2010, em Cochabamba. O encontro, que reuniu mais de 30 mil pessoas, de 135 países, expressou a convicção de organizações sociais dispostas a colocar o tema de forma aprofundada. “O capitalismo é sinônimo de inanição, de desigualdade, de destruição. Ou morre o capitalismo, ou morre a Terra”, resumiu o presidente boliviano Evo Morales na cerimônia de abertura.
O contraste entre o conteúdo das conferências de Copenhagen e Cochabamba reflete o centro do atual debate, ou seja, é preciso reconhecer que há agentes principais destruidores e poluidores, que devem ser claramente identificados. A declaração dos movimentos reunidos na Cúpula dos Povos responsabiliza claramente as grandes empresas, governos e parte da comunidade científica, que se apropriam do discurso ambientalista visando expandir a privatização da natureza e o poder do capital.
Itelvina Masioni, dirigente do Movimento Sem Terra, explica que os camponeses são os mais afetados pelo impacto das mudanças climáticas na produção de alimentos e, ao mesmo tempo, sofrem com a expulsão de suas terras pela pressão da indústria de agrocombustíveis—uma falsa alternativa para combater o aquecimento global, já que expandem o monocultivo e a destruição ambiental. Por outro lado, a agricultura camponesa, baseada na agroecologia e na democratização da terra, representa uma real solução para a crise climática. “Temos compromisso com as gerações futuras e, por isso, é preciso pressionar os governos por ações concretas, a partir da luta local, em nossos territórios”, defende Itelvina.
O centro do debate, portanto, é a mudança do modelo econômico e do chamado “desenvolvimento”. Porém, o discurso difundido por grandes empresas poluidoras (como petroleiras, mineradoras, de agricultura extensiva, automotivas, entre outras) e popularizado pela mídia comercial coloca a crise ambiental como um problema individual. Ou seja, se todos somos culpados, ninguém tem culpa. É claro que nossas opções individuais cumprem algum papel na preservação de bens naturais, mas o foco neste ponto esconde a responsabilidade dos principais agentes da destruição ambiental.
A apropriação do discurso ambiental visando o lucro mostra que é simplista dizer que necessariamente existe uma oposição “ambientalismo / desenvolvimentismo”. O uso indiscriminado destes dois termos merece algumas considerações. Por um lado, há a ideia de “responsabilidade social”, difundida por grandes empresas que burlam regularmente a legislação ambiental e trabalhista. Para esconder práticas destrutivas, estas empresas montam projetos sociais pontuais, como forma de propaganda e também para conseguir benefícios fiscais. Na verdade, os projetos de “responsabilidade” social e ambiental premiam empresas que sistematicamente violam direitos básicos.
“Grandes empresas passaram a utilizar a questão ambiental como forma de aumentar suas taxas de lucro. No caso da energia, por exemplo, o falso discurso da escassez serve para justificar o controle sobre bens naturais, como terra e água. É preciso aprofundar este debate na sociedade, fazer o trabalho de base, e combater propostas que legitimem as falsas alternativas de grupos econômicos que procuram mercantilizar o tema das mudanças climáticas”, avalia Gilberto Cervinski, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
O discurso desenvolvimentista serve para defender grandes projetos de infraestrutura, que têm como base o monopólio sobre bens naturais e um modelo econômico centrado na exportação de produtos primários, a partir de uma demanda externa. Em alguns casos, este tipo de política é confundida com a teoria marxista de desenvolvimento das forças produtivas. Para começar, um dos fundamentos do pensamento marxista é a crítica à propriedade privada.
Em O Capital, Marx explica que uma forma de renda diferencial da terra se dá através da apropriação de recursos naturais como objetos de monopólio, que geram lucro suplementar. Segundo esta tese, o título de propriedade sobre uma parcela do globo terrestre significa que “parte da sociedade exige da outra um tributo pelo direito de habitar a terra”. Portanto, “na propriedade fundiária se inclui o direito do proprietário de explorar o solo, as entranhas da terra, o ar e, por conseguinte, o que serve para conservar e desenvolver a vida”.
Se tomarmos como exemplo os projetos “desenvolvimentistas” no Brasil, como as grandes barragens, a mineração e o monocultivo extensivo, fica claro que sua história é de devastação, violência e destituição dos meios de subsistência dos trabalhadores, com o objetivo de beneficiar grandes empresas nacionais e estrangeiras. Portanto, não podemos dizer que serviram para desenvolver o país, no sentido de trazer melhorias no padrão de vida da nossa sociedade. Estes projetos sempre favoreceram, em última instância, os interesses de grandes oligopólios e países centrais.
O estágio atual da análise sobre estas questões é singular, já que mais do que uma discussão teórica, vivenciamos concretamente os efeitos das múltiplas crises deste modelo econômico. O conceito de justiça climática, por exemplo, ajuda a difundir propostas ecológicas a partir da luta concreta dos povos por seus direitos básicos de sobrevivência. Além disso, a idéia de “bem viver”, construída por movimentos populares na Bolívia, nos mostra pistas para evitar as armadilhas de um falso debate.
Maria Luísa Mendonça é jornalista e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Fonte:http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=materia&id=204
A crise climática passou a ser um dos temas centrais da atualidade e, como era esperado, há diversas interpretações e interesses em jogo no contexto deste debate. De um lado, há uma série de propostas de mercantilização de políticas ambientais, em contraste com uma análise crítica sobre razões estruturais das mudanças climáticas. Outra polêmica pode ser resumida entre uma falsa oposição de “ambientalistas” e “desenvolvimentistas”.
No âmbito dos fóruns governamentais, a discussão ganhou centralidade a partir das constatações mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre os efeitos dramáticos do aquecimento global. Porém, desde a ECO-92, no Rio de Janeiro, foi criada a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), ratificada por mais de 190 países. Neste âmbito, passaram a ocorrer reuniões multilaterais, conhecidas como Conferências das Partes (COP), sendo que a mais recente foi realizada em Copenhagen, em Dezembro de 2009.
Este espaço tem sido marcado por políticas neoliberais de privatização de bens naturais, como o chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL), que inclui o mercado de carbono, previsto no Protocolo de Quioto. Este tipo de projeto tem beneficiado, em grande medida, grandes empresas e latifundiários, que lucram com a expansão dos chamados “desertos verdes”, por exemplo, o monocultivo de eucalipto, soja e cana. Mais recentemente, surgiu uma nova proposta deste tipo, conhecida como Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de Florestas (REDD).
A frustração de movimentos sociais diante das posições deste fórum gerou a convocação para a Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas, em abril de 2010, em Cochabamba. O encontro, que reuniu mais de 30 mil pessoas, de 135 países, expressou a convicção de organizações sociais dispostas a colocar o tema de forma aprofundada. “O capitalismo é sinônimo de inanição, de desigualdade, de destruição. Ou morre o capitalismo, ou morre a Terra”, resumiu o presidente boliviano Evo Morales na cerimônia de abertura.
O contraste entre o conteúdo das conferências de Copenhagen e Cochabamba reflete o centro do atual debate, ou seja, é preciso reconhecer que há agentes principais destruidores e poluidores, que devem ser claramente identificados. A declaração dos movimentos reunidos na Cúpula dos Povos responsabiliza claramente as grandes empresas, governos e parte da comunidade científica, que se apropriam do discurso ambientalista visando expandir a privatização da natureza e o poder do capital.
Itelvina Masioni, dirigente do Movimento Sem Terra, explica que os camponeses são os mais afetados pelo impacto das mudanças climáticas na produção de alimentos e, ao mesmo tempo, sofrem com a expulsão de suas terras pela pressão da indústria de agrocombustíveis—uma falsa alternativa para combater o aquecimento global, já que expandem o monocultivo e a destruição ambiental. Por outro lado, a agricultura camponesa, baseada na agroecologia e na democratização da terra, representa uma real solução para a crise climática. “Temos compromisso com as gerações futuras e, por isso, é preciso pressionar os governos por ações concretas, a partir da luta local, em nossos territórios”, defende Itelvina.
O centro do debate, portanto, é a mudança do modelo econômico e do chamado “desenvolvimento”. Porém, o discurso difundido por grandes empresas poluidoras (como petroleiras, mineradoras, de agricultura extensiva, automotivas, entre outras) e popularizado pela mídia comercial coloca a crise ambiental como um problema individual. Ou seja, se todos somos culpados, ninguém tem culpa. É claro que nossas opções individuais cumprem algum papel na preservação de bens naturais, mas o foco neste ponto esconde a responsabilidade dos principais agentes da destruição ambiental.
A apropriação do discurso ambiental visando o lucro mostra que é simplista dizer que necessariamente existe uma oposição “ambientalismo / desenvolvimentismo”. O uso indiscriminado destes dois termos merece algumas considerações. Por um lado, há a ideia de “responsabilidade social”, difundida por grandes empresas que burlam regularmente a legislação ambiental e trabalhista. Para esconder práticas destrutivas, estas empresas montam projetos sociais pontuais, como forma de propaganda e também para conseguir benefícios fiscais. Na verdade, os projetos de “responsabilidade” social e ambiental premiam empresas que sistematicamente violam direitos básicos.
“Grandes empresas passaram a utilizar a questão ambiental como forma de aumentar suas taxas de lucro. No caso da energia, por exemplo, o falso discurso da escassez serve para justificar o controle sobre bens naturais, como terra e água. É preciso aprofundar este debate na sociedade, fazer o trabalho de base, e combater propostas que legitimem as falsas alternativas de grupos econômicos que procuram mercantilizar o tema das mudanças climáticas”, avalia Gilberto Cervinski, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
O discurso desenvolvimentista serve para defender grandes projetos de infraestrutura, que têm como base o monopólio sobre bens naturais e um modelo econômico centrado na exportação de produtos primários, a partir de uma demanda externa. Em alguns casos, este tipo de política é confundida com a teoria marxista de desenvolvimento das forças produtivas. Para começar, um dos fundamentos do pensamento marxista é a crítica à propriedade privada.
Em O Capital, Marx explica que uma forma de renda diferencial da terra se dá através da apropriação de recursos naturais como objetos de monopólio, que geram lucro suplementar. Segundo esta tese, o título de propriedade sobre uma parcela do globo terrestre significa que “parte da sociedade exige da outra um tributo pelo direito de habitar a terra”. Portanto, “na propriedade fundiária se inclui o direito do proprietário de explorar o solo, as entranhas da terra, o ar e, por conseguinte, o que serve para conservar e desenvolver a vida”.
Se tomarmos como exemplo os projetos “desenvolvimentistas” no Brasil, como as grandes barragens, a mineração e o monocultivo extensivo, fica claro que sua história é de devastação, violência e destituição dos meios de subsistência dos trabalhadores, com o objetivo de beneficiar grandes empresas nacionais e estrangeiras. Portanto, não podemos dizer que serviram para desenvolver o país, no sentido de trazer melhorias no padrão de vida da nossa sociedade. Estes projetos sempre favoreceram, em última instância, os interesses de grandes oligopólios e países centrais.
O estágio atual da análise sobre estas questões é singular, já que mais do que uma discussão teórica, vivenciamos concretamente os efeitos das múltiplas crises deste modelo econômico. O conceito de justiça climática, por exemplo, ajuda a difundir propostas ecológicas a partir da luta concreta dos povos por seus direitos básicos de sobrevivência. Além disso, a idéia de “bem viver”, construída por movimentos populares na Bolívia, nos mostra pistas para evitar as armadilhas de um falso debate.
Maria Luísa Mendonça é jornalista e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Fonte:http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=materia&id=204
Cidades já consomem 70% dos recursos naturais do planeta 10/9/2010
Dados da Organização das Nações Unidas constatam que mais da metade da população mundial está nas cidades e já é responsável pelo consumo de 70% de todos os recursos que o homem retira da natureza. Até 2050, com a estimativa de que a população do planeta supere 9,2 bilhões, a Terra terá 6 bilhões de habitantes, quase 90% da população atual, vivendo no espaço urbano. Diante desses números, governos estaduais, prefeituras e comunidades precisam reconhecer o valor do capital natural (água, solo, biodiversidade). Os formuladores de políticas públicas têm razões de sobra para tentar encontrar, o mais rápido possível, soluções de combate à degradação dos ecossistemas e minimização da perda da biodiversidade.
O alerta está no relatório A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para Políticas Locais e Regionais (TEEB, sigla em inglês) , lançado simultaneamente no Brasil, em workshop realizado nesta quinta-feira (9) em Curitiba (PR), na Bélgica, Índia, Japão e na África do Sul. Nele, 140 especialistas das áreas de ciência, economia e política de mais de 40 países concluíram que os serviços ambientais podem impulsionar as economias locais, gerar milhões de novos empregos e melhorar a qualidade de vida nas cidades.
Segundo o diretor do Departamento de Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias, que representou a ministra Izabella Teixeira no encontro, o relatório é importante para que os gestores públicos reconheçam o valor econômico da biodiversidade . Par ele, o documento pode ajudar na solução do impasse entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Mostra (o TEEB) que os serviços ambientais têm o papel de reduzir os impactos ecológicos do desenvolvimento .
O documento reconhece e recorre a dados e exemplos para demonstrar que ecologia e economia não só podem, como devem, caminhar juntas nas políticas públicas. O relatório levanta, principalmente, a questão de valoração e impacto do uso e preservação dos recursos naturais. Os atuais níveis da pegada ecológica e social, nome que os especialistas dão aos recursos naturais necessários para que cada ser humano viva, devem ser incluídos nas contas de planejamento das economias locais. Bráulio cita como exemplos recentes enchentes e desmoronamentos no Brasil com prejuízos econômicos elevados, e bem superiores ao que seria gasto com medidas de preservação do meio ambiente.
O relatório chama a atenção em três aspectos para as quais as políticas públicas precisam estar voltada: a distribuição dos benefícios da natureza, o uso do conhecimento científico disponível e o engajamento dos gestores e das comunidades envolvidas nas ações de preservação. O relatório estuda, ainda, áreas protegidas e o aumento dos benefícios locais da conservação, e dá orientações sobre os incentivos de recompensa da boa administração de capital natural local, tais como sistemas de pagamento localmente adaptados por serviços ambientais, certificação e rotulagem.
Esse é o primeiro de uma série de cinco relatórios, que serão levados à Convenção da Biodiversidade (COP-10) em Nagoya, no Japão. Ele contribui também para o Atlas Ambiental online da Agência Europeia de Meio Ambiente, com estudos de vários esforços que já vêm sendo feitos para associar ecossistemas e a biodiversidade nas iniciativas de políticas locais. Segundo Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um dos organismos que realizam o workshop, alguns governos locais já acordaram para o problema da preservação ambiental e têm adotado as medidas necessárias, com ganhos para suas economias locais. Mas muitos ainda precisam aderir , acredita. (Fonte: Paulenir Constâncio/ MMA)
Fonte: Ambiente Brasil
Nossas notícias são retiradas na íntegra dos sites de nossos parceiros. Por esse motivo, não podemos alterar o conteúdo das mesmas até em casos de erros de digitação.
O alerta está no relatório A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade para Políticas Locais e Regionais (TEEB, sigla em inglês) , lançado simultaneamente no Brasil, em workshop realizado nesta quinta-feira (9) em Curitiba (PR), na Bélgica, Índia, Japão e na África do Sul. Nele, 140 especialistas das áreas de ciência, economia e política de mais de 40 países concluíram que os serviços ambientais podem impulsionar as economias locais, gerar milhões de novos empregos e melhorar a qualidade de vida nas cidades.
Segundo o diretor do Departamento de Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias, que representou a ministra Izabella Teixeira no encontro, o relatório é importante para que os gestores públicos reconheçam o valor econômico da biodiversidade . Par ele, o documento pode ajudar na solução do impasse entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico. Mostra (o TEEB) que os serviços ambientais têm o papel de reduzir os impactos ecológicos do desenvolvimento .
O documento reconhece e recorre a dados e exemplos para demonstrar que ecologia e economia não só podem, como devem, caminhar juntas nas políticas públicas. O relatório levanta, principalmente, a questão de valoração e impacto do uso e preservação dos recursos naturais. Os atuais níveis da pegada ecológica e social, nome que os especialistas dão aos recursos naturais necessários para que cada ser humano viva, devem ser incluídos nas contas de planejamento das economias locais. Bráulio cita como exemplos recentes enchentes e desmoronamentos no Brasil com prejuízos econômicos elevados, e bem superiores ao que seria gasto com medidas de preservação do meio ambiente.
O relatório chama a atenção em três aspectos para as quais as políticas públicas precisam estar voltada: a distribuição dos benefícios da natureza, o uso do conhecimento científico disponível e o engajamento dos gestores e das comunidades envolvidas nas ações de preservação. O relatório estuda, ainda, áreas protegidas e o aumento dos benefícios locais da conservação, e dá orientações sobre os incentivos de recompensa da boa administração de capital natural local, tais como sistemas de pagamento localmente adaptados por serviços ambientais, certificação e rotulagem.
Esse é o primeiro de uma série de cinco relatórios, que serão levados à Convenção da Biodiversidade (COP-10) em Nagoya, no Japão. Ele contribui também para o Atlas Ambiental online da Agência Europeia de Meio Ambiente, com estudos de vários esforços que já vêm sendo feitos para associar ecossistemas e a biodiversidade nas iniciativas de políticas locais. Segundo Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um dos organismos que realizam o workshop, alguns governos locais já acordaram para o problema da preservação ambiental e têm adotado as medidas necessárias, com ganhos para suas economias locais. Mas muitos ainda precisam aderir , acredita. (Fonte: Paulenir Constâncio/ MMA)
Fonte: Ambiente Brasil
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