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quarta-feira, 17 de junho de 2009

As crises econômica e climática se sobrepõem

As crises econômica e climática se sobrepõem


aquecimento global, crise ambiental, crise financeira global, mudanças climáticas


“Imagine um avião cuja probabilidade de chegar ao destino seja de 10%. Você embarcaria nele? Evidentemente que não…”. Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam de Pesquisas do Clima, adora esta metáfora para explicar o que está para acontecer: desde o último relatório do Grupo Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado no começo de fevereiro de 2007, há 90% de probabilidades de que o homem esteja na origem da transformação do clima que ameaça os grandes equilíbrios planetários.

Por trás de palavras bem escolhidas, tais como “muito provável” ou “evidências muito fortes”, o relatório do IPCC foi ao mesmo tempo claro e contundente: é inequívoca a participação humana no aquecimento global. Meses antes da divulgação do relatório, o chefe do IPCC, Rajendra K. Pachauri, adiantou que o texto terá “evidências muito mais fortes de ação humana na mudança climática que vem ocorrendo”.

A polidez das palavras para se referir a algo tão dramático se deve ao fato de que o relatório necessita ser consensuado e aprovado pelos países membros da ONU. Na época, as resistências eram ainda maiores do que hoje, razão pela qual o tom do relatório fosse atenuado.

Entretanto, passados pouco mais de dois anos, o conteúdo do relatório não apenas foi se confirmando, como se anunciam os cenários mais pessimistas e extremados, caso nada for feito. Novos estudos foram apontando para a gravidade da situação climática.

Dizer que as mudanças climáticas têm origem nas atividades humanas, significa dizer que elas têm origem “econômica”, como lembra Paulo Brack, biólogo e professor no Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. No fundo, a crise ecológica foi gerada pelos interesses econômicos, pelo modo de produção e consumo vigentes. Em entrevista especial para o IHU, Paulo Brack precisa essa afirmação: “O nível de CO2 da atmosfera aumentou em cerca de 30% nos dois últimos séculos e isso estaria ligado a atividades industriais, queima de florestas e demais atividades que geram liberação de gases de efeito estufa”.

É verdade, como afirma Ricardo Abramovay, economista e professor da Universidade de São Paulo, que “o sistema contemporâneo tem extraordinária capacidade de reduzir a pobreza absoluta” no mundo. Além disso, possibilitou enormes progressos em todos os campos. Mas, como lembra Nicolas Ridoux, o crescimento não é necessariamente progresso e a condição indispensável para um desenvolvimento justo.

Os fantásticos progressos econômicos mostram hoje seus limites tanto ambientais como sociais. A lógica econômica vigente mostra que “tem pés de barro”, diz ainda Abramovay. E isso em dois sentidos: ela foi capaz de (1) gerar um crescimento sem redução de pobreza e (2) defronta-se com a impossibilidade física de universalizar o consumo atual dos países mais ricos.

Cresce o número dos estudiosos que se juntam ao coro do IPCC para alertar que o futuro da vida no Planeta Terra corre risco e sobre a necessidade de mudanças urgentes. “O Planeta necessita que mudemos de estilo de vida”, assegura Serge Latouche, professor emérito de Economia da Universidade de Paris-Sul (Orsay). Latouche é um dos teóricos do chamado decrescimento, proposta que rechaça o crescimento pelo crescimento e a sociedade de consumo.

James Lovelock tem sido cada vez mais pereptório, para não dizer pessimista. Para ele, a mudança climática acabará com grande parte da vida na Terra durante o atual século sem que a humanidade possa fazer qualquer coisa para evitar a catástrofe. No auge de seus 89 anos, Lovelock estimou que a população mundial poderá cair dos atuais 7 bilhões para aproximadamente 1 bilhão em 2100 devido a que as pessoas disputarão os escassos recursos naturais disponíveis.

O cientista britânico, autor da Teoria de Gaia – que determina que o Planeta funciona como um sistema auto-regulado – mostra-se pessimista com as campanhas de reciclagem. Nisso, no fundo, concorda com Latouche quando este afirma que o “melhor lixo é aquele não produzido”.

Anthony Giddens, um dos sociólogos mais influentes da atualidade, concorda em que “o mundo que criamos é insustentável” e que “sabemos que não podemos continuar como estamos”, mas é mais otimista. Giddens critica o tom “apocalíptico” dispensado à questão da mudança climática e propõe uma perspectiva mais propositiva: “proponho uma reorganização fundamental do pensamento, para focar muito mais nos investimentos, para ver os lados positivos do aquecimento global. Podemos criar uma genuína economia verde, quebrar a dependência do Oriente Médio, garantir segurança energética e levar a uma vida melhor por meio dessas transformações. Dizer para os empresários que eles podem se tornar mais competitivos”.

Giddens, que acaba de lançar na Inglaterra seu novo livro – The Politics of Climate Change (A Política de Mudança Climática, Polity Press, 256 págs.) –, em que aborda o aquecimento global, diz que “o caminho para lidar com a mudança climática deve ser de ousadia, inovação, o máximo uso da tecnologia”. E isso requer novas utopias: “temos de nos preparar para pensar novamente de modo muito radical lá na frente. É claro que, agora, temos de lidar com o mundo como o vemos. Mas sou a favor de um retorno parcial a certo utopismo”.

Também o ensaísta norte-americano, Thomas Friedman, está convencido de que a salvação do Planeta está no meio ambiente. Friedman publicou em outubro passado nos EUA Hot, Flat and Crowded, e que já se encontra nas livrarias da Itália, com o mesmo título: “Quente, plano e cheio”. No livro destaca a necessidade de uma “nova revolução industrial, à qual chamamos de ET (Energy Technology) ou, se preferirmos, Geo-Greenism, revolução verde. E deverão ser os Estados Unidos quem a liderará”. Para isso, defende a passagem dos “problemas do terrorismo global da era Bush aos do aquecimento global”, para os quais Barack Obama estaria apresentando maior sensibilidade.

A novidade crucial desta quadra histórica é que nos confrontamos com diversas crises –financeira, econômica, energética, alimentar e climática – que necessitam ser enfrentadas simultaneamente. E isso nos coloca diante de uma crise civilizacional. De certa forma, tudo está em suspenso, é questionado e necessitado de reorientação ou mudança. O pensamento complexo questiona a lógica sequencial e analítica subjacente à modernidade e que alavancou a sociedade industrial. Hoje, já não podemos mais pensar em resolver primeiro a crise econômica para depois nos ocupar do aquecimento global.

O novo desenvolvimento econômico já não pode ser feito contra a natureza. Pois, como diz o ecologista norte-americano Barry Commoner, faz-se necessário “mudar o motor do desenvolvimento, fazendo-o funcionar em sintonia com o meio ambiente”. E acrescenta: “Sem recuperar o meio ambiente, não se salva a economia; sem recuperar a economia, não se salva o meio ambiente”.

Há, por conseguinte, uma crescente tomada de consciente que procura relacionar as crises econômica e climática. “A crise financeira, por pior que seja, é uma crise reversível. Já passamos por isso no passado e, mesmo que seja terrível, a economia acaba se recuperando”, lembra o físico José Goldemberg. “Mas se o clima mudar mesmo, como está acontecendo, a mudança é irreversível”, garante, apontando a diferença entre as duas crises.

“A crise climática é tão real quanto a crise econômica e certamente será muito mais longa. Não há tempo a perder. Salvar o Planeta é agora ou agora”, assevera Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil. Por via transversa – uma assustadora crise econômica global – a economia finalmente se aproximou de temas ambientais. Há riscos enormes e decisões difíceis pela frente.

“Já deveria estar bem claro que as crises climáticas e financeiras estão intrinsecamente ligadas e tentar resolver uma e deixar a outra para depois não tem como dar certo”, lembra David Norman, diretor da Ong WWF.

A crise financeira está se mostrando adversa sobretudo para com os trabalhadores e os mais pobres, que a pagam com o desemprego, o subemprego, a fome e as incertezas quanto ao seu futuro. No entanto, a médio e a longo prazos, há indícios de que o aquecimento climático pode ser mais dramático ainda, afetando também ela de maneira mais aguda os pobres. De diversas maneiras eles podem ser aqueles que pagam não apenas o pato da crise financeira, mas também o pato da crise provocada pelo aquecimento global: fome, aumento do nível do mar, migrações, secas e tempestades cada vez mais frequentes e prolongadas, recaem com maior intensidade sobre os mais frágeis da terra. E o Brasil, alertam os especialistas, está entre os países que serão mais afetados pela crise climática.

Essa relação precisa ficar cristalizada na mente de todos, especialmente dos políticos, pois uma das vantagens desta crise econômica – além de desacreditar o discurso neoliberal – foi mostrar a relevância da política. Neste sentido, a crise financeira e econômica se apresenta como uma oportunidade singular para mudanças. Entretanto, de per si, a crise pode também servir de pretexto para acirrar ainda mais o velho.

A crise econômica e a ameaça do aquecimento global podem ser uma boa oportunidade para acelerar a chamada “descarbonização” da economia e apostar em energias limpas. Estudiosos defendem taxar as energias altamente poluentes e não renováveis, como o petróleo e o carvão, e subvencionar as energias limpas e renováveis, como uma saída.

O economista espanhol, Jaime Terceiro, autor do livro A economia da mudança climática, sem tradução para o português, insiste em que “é preciso romper o vínculo entre crescimento econômico e emissão de gases de efeito estufa. Para isso, é preciso taxar as indústrias fósseis e os produtos derivados, criar um mercado de emissões de carbono e subvencionar as energias não poluentes”. E lembra que “a crise financeira é transitória e seria um equívoco que por conta disso se esquecesse a gravidade da mudança climática”.

“Deveríamos ver a crise econômica como uma oportunidade de usar a energia de forma mais eficiente e começar a introduzir as energias alternativas. Esse é o momento onde podemos taxar o carbono, porque os combustíveis fósseis estão baratos. [...] Precisaremos fechar todas as usinas a carvão nos próximos 20 anos. Isso é 80% da solução e fará com que as curvas de emissão caiam muito rápido”, defende o físico James Hansen, um dos primeiros a alertar o mundo sobre a questão do aquecimento global.

Mas, insistimos, a possibilidade de os novos investimentos serem direcionados para a nova economia verde, não está dada automaticamente. A preocupação com a retomada do crescimento econômico pode inibir investimentos na chamada “economia verde”. Os planos de estímulo econômico que estão sendo implementados em todo o mundo para fazer frente à crise financeira poderão impor aos países um crescimento rápido das emissões de gases que provocam o efeito estufa, anulando em parte as iniciativas verdes neles incluídos. Esta é a crítica que se faz, por exemplo, ao Brasil. Não é de hoje a constatação de que o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), que prevê gigantescas obras de infra-estrutura, não tem nenhuma ou pouca preocupação com a questão ambiental. Até agora, a resposta do Brasil à crise econômica não tem nada de verde. “Em alguns casos é ate antiverde”, constata Eduardo Viola, professor titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

Viola compara, por exemplo, as exigências feitas às montadoras brasileiras em troca dos subsídios e aquelas de Barack Obama, nos Estados Unidos, que exigiu investimentos em veículos a hidrogênio, coisa que não aconteceu no Brasil. Aqui, a redução do IPI dos automóveis se deu para não paralisar as vendas, ou seja, para manter o consumo. A mesma coisa vale em relação à política energética brasileira. Em suma, o Brasil estaria perdendo uma oportunidade singular para uma “fuga para a frente” se investisse pesadamente em fontes alternativas mais limpas de energia, como a eólica e a solar.

Ao contrário, segue investindo em fontes como os biocombustíveis, energia nuclear, e biodiesel, que são mais limpas que as energias fósseis, mas problemáticas devido aos impactos ambientais e sociais que elas provocam. Ou seja, em boa medida, elas são parte do problema e não da solução. Segue empurrando o problema para frente. Sem falar das hidrelétricas na Amazônia, projetadas em grande medida para produção de energia para a produção de alumínio e outros produtos para exportação, como relata Philip Fearnside, em entrevista ao IHU On-Line.

Essa dissociação entre a consciência geral da gravidade do problema climático e a timidez das ações governamentais, relegando para segundo momento as questões relativas à crise ambiental, também está evidente no G-20. Em sua última reunião, as ações anunciadas para enfrentar a crise financeira foram inovadoras, ambiciosas e aplaudidas mundo afora, ao passo que para combater o aquecimento global sobrou apenas um discurso breve, vago e sem objetivos. Ainda com outras palavras, a reunião realizada em Londres no começo de abril deixou claro, nos seus resultados, que não existe vontade política por parte da maioria dos governos para resolver as questões ambientais e promover o desenvolvimento sem comprometer o futuro do planeta.

Mas, a realidade atual mescla temores e esperanças, ousadias e timidezes. E como diz o economista Abramovay, “a mais importante renovação das ciências sociais contemporâneas está no esforço de integrar de maneira organicamente articulada sociedade e natureza numa mesma estrutura analítica: é o que faz a atual economia ecológica e é o que muitos economistas de esquerda, voltados apenas à ideia de que é necessário intervir para garantir o crescimento e a melhor distribuição de renda, solenemente ignoram”. Sem, portanto, desconhecer que a crise terá seus efeitos também sobre a esquerda no mundo, como alertam Fidel Castro e Giddens.

Em relação à atual crise, entendida na sua complexidade, as forças sociais que sonham com um “outro mundo possível” estão órfãs de ideias inovadoras e mais utópicas sobre a situação. Ou será que a ideia do “fim da história”, de Francis Fukuyama, entendida como aquela “fase da história em que não podemos ver nada diferente do mundo em que vivemos”, que tem seu paralelo brasileiro no “pensamento único”, não enredou as forças de esquerda no círculo de giz circunscrito ao economicismo?

Neste caso, como diz Giddens, referindo-se particularmente à esquerda que está no poder, “na ausência de um novo modo de pensar, o Estado não será capaz de garantir uma gestão mais eficaz da atividade econômica com relação ao passado”.

A consciência planetária que se torna presente através da mudança de mentalidade e de gestos de cuidado para com a Terra, são sinais de que algo novo está acontecendo. O grito da Terra e o grito dos pobres, como diz Leonardo Boff, são o mesmo grito clamando por vida e justiça. E em cada um desses gestos, a vida, apesar das forças da morte, teima em resistir e ressuscitar.

(Ecodebate, 13/04/2009) publicado pelo IHU On-line, 09/04/2009 [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

domingo, 3 de maio de 2009

Salvar o planeta – é agora ou agora.

Em dezembro de 2009 em Copenhagen, na Dinamarca, representantes de mais de 200 países vão se reunir para chegar a um acordo sobre como salvar o clima do planeta. O Brasil tem papel importante nas mudanças climáticas, já que o país é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, figura entre as dez maiores economias do mundo e ainda possui recursos naturais como a floresta amazônica .

Para fazer sua parte no combate às mudanças climáticas, o governo brasileiro deve se comprometer a zerar o desmatamento da Amazônia , expandir a geração elétrica renovável e criar uma rede de reservas marinhas para manter os oceanos vivos.

Envie a mensagem abaixo ao presidente Lula. O Brasil pode – e deve – assumir a liderança na construção de um novo modelo de desenvolvimento.

Exmo. Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Venho, por meio desta, exigir que o governo brasileiro assuma a liderança nas negociações da 15ª Conferência das Partes da ONU, em Copenhagen, na Dinamarca e se comprometa a:

- Zerar o desmatamento da Amazônia até 2015 e apoiar a criação de fundo financeiro internacional para apoiar este objetivo (mecanismo Florestas pelo Clima);

- Garantir que pelo menos 25% da eletricidade sejam gerados a partir de fontes renováveis de energia como vento, sol, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas até 2020 e apoiar a transferência de tecnologia entre os países;

- Transformar pelo menos 30% do território costeiro-marinho do Brasil em áreas protegidas até 2020;

Senhor presidente, independente do histórico do Brasil como emissor de gases estufa, o país deve assumir sua responsabilidade. Podemos continuar nos desenvolvendo e gerar emprego e renda sem contribuir para o aquecimento global, o maior desafio já enfrentado pela humanidade.

Salvar o planeta – é agora ou agora.


Acesse o site e cadastre-se :
http://www.greenpeace.org/brasil/participe/ciberativismo

Carta Escrita no Ano 2070

Enfrentar a crise climática vai ajudar a resolver a crise financeira

A Oportunidade
A crise financeira e a perspectiva de recessão global criaram uma oportunidade para que sejam tomadas medidas drásticas em nome do planeta. Ficou claro que os governos podem intervir nas suas economias em uma escala sem precedentes. Muitos deles agora estão considerando estimular as suas economias por meio de maciços programas de investimentos que ainda têm que ser especificados em detalhe.
Se nós podemos salvar os bancos, por que não podemos salvar o planeta? O Greenpeace defende um pacote de emergência planetária, conforme descrito na proposta “Green New Deal” da New Economics Foundation do PNUMA (www.neweconomics.org/gen). As medidas propostas podem proteger o mundo das alterações climáticas e ao mesmo tempo estimular a economia global. Neste trabalho, nós apresentamos um levantamento das medidas políticas sugeridas pelo Greenpeace e outras organizações para serem implantadas como uma resposta coerente para a atual crise financeira e ambiental.
Ameaça: o risco ambiental é maior
do que os riscos financeiros
Estamos destruindo o nosso capital ambiental. A destruição das florestas custa para a economia mundial, pelo menos, US$ 2 trilhões anualmente. Os recursos pesqueiros do oceano estão entrando em colapso, colocando em risco essa fonte básica de alimentos para 3 bilhões de pessoas (www.greenpeace.
org/usa/press-center/reports4/pushed-to-the-brink-the-ocean). Secas e incêndios florestais destroem recursos que sustentam o setor agrícola. A elevação dos níveis do mar ameaça deslocar centenas de milhões de pessoas até ao final do século. O Relatório Stern, estimou em 2006, que as alterações climáticas poderão reduzir o futuro PIB entre 5 a 20% (www.hm-treasury.gov.uk/6520.htm). Hoje os autores do relatório entendem que esse número é conservador.
Investimentos no futuro:
1. Redes elétricas inteligentes, super redes e transportes públicos.
Grandes redes que enviam energia solar ou eólica do Norte de África para a África e para a Europa, redes inteligentes que assegurem uma utilização mais eficiente da energia, e investimentos em transportes públicos são alternativas fundamentais para a construção de um modelo econômico independente de petróleo.
No relatório “[R]evolução Elétrica do Mar do Norte”, o Greenpeace descreve como sete países banhados pelo Mar do Norte poderiam fornecer 68 GW de capacidade eólica para Europa através de uma rede regional de energia eólica. O montante de energia gerado seria maior do que o previsto nesses países com a geração a base de carvão. A localização da rede offshore (no mar) permitiria que as turbinas eólicas gerassem energia com o dobro da eficiência da atual base, instalada de parques eólicos da Europa.


2. Pesquisa e desenvolvimento de energia renovável e eficiência energética. Os investimentos do governo em produtos eficientes devem ser apoiados por padrões de eficiência energética, que garantam a adoção dos mecanismos pelo mercado. Os empréstimos subsidiados recentemente concedidos ao setor automotivo americano e europeu, por exemplo, deveriam ter sido condicionados à contrapartida das indústrias de melhorar a eficiência energética na utilização de combustíveis.
3. Criar o fundo Florestas pelo Clima. O Greenpeace vem propondo um mecanismo de financiamento, segundo o qual, nações desenvolvidas podem alcançar algumas das suas obrigações de redução de gases de efeito estufa com o financiamento de preservação das florestas. Estima-se que o mecanismo resultará investimentos de US $15 bilhões por ano e poderá reduzir o desmatamento pela metade até 2015. O fundo estimulará as economias dos países em desenvolvimento e possibilitará que as populações locais tenham formas sustentáveis de subsistência.
4. Fim dos subsídios aos combustíveis fósseis. Combustíveis convencionais não-renováveis recebem US $250-300 bilhões por ano em subsídios. Ao invés de gastar dinheiro destruindo o meio ambiente, os governos deveriam investir em energia limpa, empregos verdes e energia inteligente.
O mercado tem que funcionar:
1. Para o meio ambiente
Os mercados de energia devem refletir o verdadeiro custo da utilização de recursos. Recente pesquisa feita pelo Greenpeace descobriu, antes mesmo das estimativas do custo das alterações climáticas, que a dependência de carvão custa para a China um montante equivalente a 7% do PIB anual.
Os custos das externalidades - impactos na saúde humana decorrentes da queima do carvão; aumento do risco de inundação por causa do desmatamento; contaminação das águas por escoamento agrícola; e investimentos no combate às mudanças climáticas, entre outros - podem ser abordados por diferentes mecanismos políticos, mas qualquer sistema deverá ser baseado no princípio do poluidor-pagador. Os fundos gerados pela cobrança dos poluidores podem ser canalizados para apoiar investimentos sustentáveis, como o Fundo Florestas pelo Clima, redes elétricas inteligentes, infra-estrutura de transporte público e apoio às energias renováveis.
2. Para empresas energéticas
Investimentos em energias renováveis bem sucedidos, ocorrem apenas quando há um ambiente estável. Criar um “boom” na área de energias renováveis requer apenas três etapas reguladoras que qualquer governo pode adotar:
• Prioridade no acesso à rede para as energias renováveis, inclusive investindo na ampliação de redes em escala local, nacional e regional.
• Metas obrigatórias para a utilização de energias renováveis e cogeração

energia renovável.
3. Para o consumidor
Quase dois terços da eletricidade consumida no planeta é desperdiçada, principalmente devido produtos maus projetados.
Padrões obrigatórios de eficiência para todas as categorias de produtos reduziriam o consumo de combustível,proporcionariam corte nas contas domésticas de eletricidade e melhorariam a produtividade.
Rotulagem adequada dos produtos que consomem menos energia e divulgação dessas peças nos pontos de vendas, permitiriam ao consumidor escolher melhor ao comprar.
4. Para os investidores
Regras contábeis devem ser alteradas para garantir que as empresas cujas atividades ameaçam o meio ambiente tenham esses riscos incluídos em seus balanços. Além disso, as empresas devem ser obrigadas a informar as emissões geradas durante seu processo produtivo, com a perspectiva de mudanças tecnológicas, eliminação de subsídios perversos e melhor manejo ambiental sobre os seus negócios.
Transição
Como já mencionado, os subsídios aos combustíveis fósseis são da ordem de pelo menos US$ 250 bilhões por ano. A próxima fase do Sistema de Comércio de Emissões da UE deve gerar cerca de US$ 68,5 bilhões por ano, enquanto o retorno das políticas do poluidor-pagador nos EUA pode chegar a mais de US$ 250 bilhões. Os recursos desses controles devem ser utilizados para canalizar investimentos futuros e amarrá-los a resultados sustentáveis.
A crise financeira tem demonstrado que os governos disponibilizam grandes quantias de dinheiro a baixas taxas de juros quando eles acreditam que é necessário. Até o fechamento deste trabalho, os governos se comprometeram a disponibilizar mais de US$ 2,5 trilhões de dívidas preferenciais ou de financiamento diretos para o setor financeiro nos próximos dois anos.
Além do mais, os governos tomaram controle direto ou ganharam uma influência significativa sobre alguns dos principais bancos.
As transformações do setor da energia e de outras partes da economia terão
conseqüências para o emprego local. O Greenpeace mostrou em estudos como a transição poderia ser tratada no Vale do Caçador na Austrália. A área é tradicionalmente dependente do carvão, mas poderia se beneficiar de uma passagem para uma economia sustentável verde. Onde os danos às economias locais forem inevitáveis, os governos devem assegurar que parte dos benefícios da economia verde seja utilizada para garantir uma transição para as áreas afetadas.

O retorno de uma economia sustentável
Um novo pacto verde para a economia mundial pode alcançar benefícios econômicos imediatos, reduzir o risco de um colapso catastrófico da mudança climática global e reduzir as fontes de instabilidade global, como a insegurança energética e a competição por recursos.
Empregos
Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que atualmente existam pelo menos 2,3 milhões de empregos “verdes” no setor de energia renovável. Esse número poderia crescer para mais de 20 milhões de pessoas até 2030. O mesmo estudo constatou que deixar a indústria da construção mais verde (para melhorar a eficiência) poderia criar 3,5 milhões de postos de trabalho na Europa e nos EUA até 2030. Na Califórnia, 35 anos de investimentos de eficiência energética fez com que o consumo de energia ficasse 40% abaixo da média nacional, criou o equivalente a 1,5 milhões de empregos e uma massa salarial total de US $45 bilhões. Além disso, foram economizados US$ 56 bilhões com as economias domésticas de energia
(www.next10.org/pdf/report_).
Segurança energética
O fim da dependência dos combustíveis fósseis irá proporcionar um grau muito maior de segurança energética, tanto do ponto de vista político como econômico. Aumentar a quota das fontes renováveis de energia em uma rede nacional significa maior estabilidade no preço, e menor dependência de fornecimentos internacionais.
Custos mais baixos de energia
O relatório [R]evolução Energética, um estudo global do mercado de energias renováveis e eficiência energética publicado pelo Greenpeace (http://www.greenpeace.org.br/energia/pdf/cenario_brasileiro.pdf) mostra que para tornar a revolução energética uma realidade é necessário adicionar US$ 1 trilhão aos US$ 13,6 trilhões que a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o mundo gastará com o setor energético até 2030. Esse valor será compensado pela economias com combustíveis fósseis, que em 2030 será no valor de US$ 288 bilhões por ano.
Um futuro pacífico e verde
Queremos um mundo sem conflitos por causa do petróleo e do gás e livre de energia nuclear. Queremos também evitar a escassez crônica de água, alimentos e a fome, prevenir o colapso dos oceanos e dos ecossistemas florestais. Conter a expansão dos desertos e a elevação dos mares. Que melhor retorno sobre nossos investimentos podemos pedir?
Será que vamos olhar nos olhos os nossos filhos e confessar que
tivemos a oportunidade, mas faltou a coragem?
tínhamos a tecnologia, mas faltava a vontade política

Crise climática planetária .

Relatório do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indica crise climática planetária, mas o governo estadunidense quer enfraquecer o documento, tornando-o público antes do tempo. Para o Greenpeace, os dados revelados mostram a necessidade de urgência no combate às mudanças climáticas. A versão preliminar de um dos relatórios ainda em revisão do IPCC indica que o clima da Terra está sofrendo uma transformação dramática devido às ações humanas e que seus efeitos são muito mais sérios do que o que se imaginava.

O Greenpeace questiona a intenção do governo estadunidense em tornar o relatório público antes de sua versão final, mas, ao mesmo tempo, considera que as informações instam os governos de todo o planeta a tomarem medidas muito mais incisivas para controlar as emissões mundiais de gases de efeito estufa e evitar uma catástrofe no futuro.

O processo de revisão dos relatórios do IPCC é sigiloso, restrito aos governos e a especialistas em mudanças climáticas, até o lançamento de sua versão final. "O sigilo nessa fase de revisão tem gerado relatórios consistentes e sólidos. Expor o relatório não finalizado aos céticos da ciência indica a intenção de sabotar o processo e colocar em cheque os resultados ainda preliminares do documento, uma referência para as negociações internacionais do regime de clima da Terra", afirmou Carlos Rittl, coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace.

Apesar disso, os novos dados evidenciam claramente que as ações humanas têm um impacto significativo sobre as mudanças climáticas e que seus efeitos são muito mais sérios do que se imaginava. "Isso coloca contra a parede todos aqueles que têm responsabilidade mas que não deram nenhuma contribuição, que não assumiram nenhum compromisso para combater o problema", acrescentou Rittl.

O Greenpeace considera que, mesmo que as informações do relatório ainda estejam sujeitas a uma ampla revisão dos governos e dos cientistas, são suficientes para tornar ainda mais urgentes a adoção de medidas imediatas para combater as mudanças climáticas. "Se todos os governos do mundo não forem muito mais efetivos nas negociações internacionais, se não assumirem compromissos muito mais profundos, o planeta poderá em poucas décadas enfrentar catástrofes de enormes proporções, com perdas de milhões de vidas humanas, extinção de milhões de espécies e perdas econômicas incalculáveis", enfatizou Rittl.

Isso impõe a necessidade de maior contribuição de todos, inclusive dos países em desenvolvimento, como o Brasil. "Devemos diminuir nossas emissões e combater o desmatamento de forma sistemática e incisiva, hoje reponsável por cerca de 75% dos gases de efeito estufa que o país emite para a atmosfera", concluiu Rittl.



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